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TV JAPONESA ENTREVISTA GERARDO PORTELA 6 MESES APÓS JOGOS RIO 2016 - オブリガードテレビASAHI



A TV ASAHI do Japão enviou uma equipe de sua sucursal Nova York ao Rio de Janeiro, 6 meses após aos Jogos Olímpicos Rio 2016, para verificar se as promessas relacionadas ao chamado "Legado Olímpico" foram de fato cumpridas. Além de mostrarem as péssimas condições de conservação do Maracanã e demais instalações dos Jogos, os jornalistas da TV Japonesa entrevistaram o Ministro dos Esportes Leonardo Picciane que defendeu a posição e a estratégia do governo quanto ao tema. Para fazer o contraponto com as declarações do Ministro, a TV Japonesa convidou o especialista independente Gerardo Portela que analisou diversas obras e acidentes envolvendo as obras associadas aos Jogos Rio 2016. Evidentemente Gerardo Portela mostrou a fragilidade do planejamento, execução e manutenção destas obras e sugeriu atenção especial do Comitê dos Jogos Olímpicos de Tókio para que os mesmos erros não se repitam, principalmente as falhas de fiscalização e a vulnerabilidade quanto a corrupção.



A seguir as perguntas da pauta da TV Japonesa e as respostas de Gerardo Portela:

1. Como a prefeitura planejou o legado da infra-estrutura visando o período pós-olimpidas? Qual são os méritos do legado para cidade?

A estratégia das autoridades foi executar obras relevantes para a mobilidade urbana como principal benefício do legado dos Jogos, além de algumas instalações esportivas para serem aproveitadas em atividades de lazer, educação e esporte. Também fêz parte do planejamento do legado a despoluição da Baía de Guanabara e do complexo de Lagoas da Barra da Tijuca. Como mérito, podemos dizer que as obras de mobilidade urbana de fato promoveram um avanço importante para a Cidade do Rio de Janeiro, especialmente para a Barra da Tijuca, bairro moderno e cheio de atrações porém até então bastante isolado pela falta de vias de acesso e do metrô.

2. Você acha que prefeitura conseguiu alcançar esse objetivo?

 
Infelizmente eu acho que, considerando os elevados gastos e as promessas feitas na época da candidatura, os resultados do legado ficaram muito abaixo do objetivo inicial. Mesmo as obras de mobilidade urbana foram entregues com atraso, e estão incompletas até hoje. Também há dúvidas quando à qualidade técnica das obras e principalmente sobre os custos e as suspeitas de desvios e irregularidades. Algumas obras, como as que criaram os corredores de ônibus BRT, têm apresentado fragilidades como, por exemplo, os problemas de manutenção das Estações e dos Ônibus. Há dúvidas se uma melhor gestão dos recursos não teria permitido a utilização de veículos sobre trilhos (como VLT) no lugar dos Ônibus (BRT) que são menos eficientes, menos seguros e menos robustos. Suspeita-se que os VLTs não foram utilizados no lugar dos BRTs para satisfazer interesses de donos de Empresas de Ônibus que formam uma espécie de cartel com influência política na cidade do Rio de Janeiro. Sobre a despoluição da Baia de Guanabara e das Lagoas da Barra da Tijuca, de certa forma a população e a comunidade técnica sentem-se enganadas. Praticamente não houve nenhum ou quase nenhum avanço apesar das somas e dos gastos para esse fim.

3. A prefeitura queria transformar as instalações do parque olímpico em escolas públicas como legado, mas o projeto está parado. O que você acha disso?

 
Infelizmente o que parece é que a parte mais importante dessa estratégia não passou de teoria. Ou seja, apresentou-se uma ideia muito boa que reduziria custos e ainda agregaria a possibilidade de construção de escolas. Mas agora, seis meses depois dos Jogos, está evidente que o planejamento do "Day After" não foi levado a sério e isso pode ser comprovado com o "jogo de empurra empurra" entre as autoridades que se acusam mutuamente, todas alegando que a responsabilidade para a sequência do projeto é sempre "da outra parte". Na realidade existe um efeito típico que se repete em muitos eventos de grande porte como Jogos Olímpicos e Copas do Mundo FIFA. Já estamos começando a chamar isso de "EFEITO FIM DE FESTA"... quando o fim de um grande evento, o fim de grandes obras e o fim de mandatos de políticos acontecem no mesmo período e em menos de 6 meses. É como se após uma grande festa os organizadores como COI e a FIFA, assim como os Empresários que ganharam muito dinheiro com as obras, simplesmente virassem as costas e fossem embora assim que a festa acabasse junto com as autoridades que terminaram seus mandatos. A população fica então com obras inacabadas e as dívidas. O Japão e qualquer outro país que pretenda realizar eventos de grande porte deve evitar essa conjunção de fatores e acontecimentos ao mesmo tempo, em menos de 6 meses o que gera o "EFEITO FIM DE FESTA".

4. Rio2016 conseguiu baixar o orçamento utilizando estruturas provisórias para os jogos e isso foi visto como positivo. Qual é sua avaliação?

 
Sim, a ideia realmente é boa. Na realidade vivemos tempos de recursos escassos em todo o mundo. No século XXI precisamos economizar água, energia e poupar o meio ambiente de desgastes e erros do passado. Por isso eu penso que os grandes eventos internacionais deveriam adotar um modelo mais simples, valorizando mais o verdadeiro espírito esportivo, o verdadeiro espírito olímpico de congraçamento, ao invés de utilizar estes eventos para ostentar poderio econômico e político, muitas vezes de forma irreal deixando dívidas e desperdícios como parte do legado. Nos Jogos do Rio realmente o espírito olímpico se tornou a atração principal e isso de certa forma surpreendeu o mundo. Mas esse sucesso foi possível muito mais pela natureza do povo carioca do que pela competência das autoridades. Ao contrário, existem inúmeras suspeitas de desvios e de corrupção envolvendo as obras e os Jogos Olímpicos. Na realidade eu penso que a receptividade do povo carioca e o trabalho dos cidadãos comuns que atuaram nas atividades dos Jogos fizeram a diferença, apesar da ineficiência de boa parte dos empresários e das autoridades que estavam à frente da organização.

5. Como você avaliou o aspecto de segurança das estruturas provisórias?

 
Pessoalmente eu já viajei por muitos países e já fui alvo de assaltos e outras ocorrências na Europa e nos Estados Unidos. Sem dúvida a questão da violência no Rio de Janeiro é gravíssima mas houve uma propaganda negativa e irreal sobre a insegurança no Rio de Janeiro e isso acabou envergonhando alguns jornais, TVs e órgãos de imprensa reconhecidos internacionalmente, pois neste aspecto tanto a população como as autoridades souberam realizar um belo trabalho. Um exemplo que sintetiza esse preconceito e que jamais será esquecido pelo povo carioca foi o comportamento indevido do nadador norte americano Ryan Lochte. Aproveitando a propaganda negativa sobre a questão da segurança do Rio de Janeiro o atleta americano tentou acusar aqueles que simplesmente trabalhavam pela segurança da cidade para esconder quem de fato estava agindo como criminoso: ele mesmo, um atleta olímpico até então acima de qualquer suspeita. Mas graças às várias câmeras de segurança e a ação correta de investigadores e juízes o caso foi esclarecido rapidamente para vergonha maior dos que acusavam o Rio de Janeiro com uma propaganda extremamente negativa e não construtiva. Como se fala aqui no Rio de Janeiro, o "Brasil não é para amadores"... suas contradições são surpreendentes e mesmo um evento que parecia ser destinado ao fracasso pôde sim alcançar objetivos positivos, graças ao povo carioca e apesar dos maus políticos, maus empresários e autoridades incompetentes.

オブリガードテレビASAHI

O vídeo com a reportagem completa da TV ASAHI do Japão pode ser acessada pelo link: